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União Química conclui compra de fábrica em SP e mira vacinas

Uma das maiores farmacêuticas de capital nacional, a União Química segue ganhando musculatura em portfólio e ativos industriais. Depois de estabelecer a produção local da Sputnik V, vacina russa contra a covid-19, a companhia está em conversas com multinacionais do setor para avançar em imunizantes. Ao mesmo tempo, concluiu a compra da fábrica da Bayer em São Paulo pelo valor estimado de US$ 150 milhões e consolidou-se como maior produtora de medicamentos para terceiros no mercado brasileiro.

Para 2022, a expectativa é faturar mais de R$ 5 bilhões, mantendo o forte ritmo de crescimento visto nos últimos anos. Em 2021, a receita líquida da União Química
avançou 40%, para R$ 3,33 bilhões, enquanto o lucro líquido quase dobrou, para R$ 448 milhões. “2022 deve ser ainda melhor na estimativa da empresa, levando em conta
as operações fabris, novos produtos e prestação de serviços”, disse o empresário Fernando de Castro Marques, presidente do grupo farmacêutico.

Com a conclusão da compra da fábrica de Cancioneiro, na capital paulista, em 31 de março, a União Química passa a produzir para a Bayer no país alguns produtos da área de hormônios femininos e incorpora a seu portfólio marcas estabelecidas de anticoncepcionais, como o Microvlar, consolidando-se na liderança desse mercado.

Essa não é a primeira vez que a companhia compra os ativos de uma grande farmacêutica estrangeira que reduz ou encerra a produção de medicamentos no Brasil. Em 2014, assumiu a fábrica da Novartis em Taboão da Serra (SP) e ficou responsável pela produção e fornecimento dos medicamentos da empresa suíça. Em 2018, incorporou a fábrica da Zoetis (antiga Pfizer Saúde Animal) em Guarulhos (SP) e passou a fornecer à vendedora as linhas de produtos que eram fabricadas na unidade.

A União Química também tentou comprar a fábrica da GSK Stiefel, instalada em Guarulhos, mas o conselho da farmacêutica já havia batido o martelo pelo encerramento das atividades na unidade. Para financiar a aquisição da fábrica da Bayer, a companhia recorreu a nova emissão de debêntures, a quarta, no valor de R$ 600 milhões.

“O setor farmacêutico passa por um processo de desindustrialização no Brasil. As transnacionais não querem abrir mão do mercado, mas optaram por concentrar a produção em regiões com custos mais baixos e deixar que os brasileiros lidem com as dificuldades locais”, disse. Em sua avaliação, a complexidade do sistema tributário é um dos principais fatores que afastam o interesse das farmacêuticas estrangeiras.

Para o empresário, há espaço para que a iniciativa privada também produza vacinas no país – hoje, a produção local é dominada por instituições públicas, como Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “A pandemia nos fez acreditar que é preciso produzir mais no Brasil e depender menos de outros países. Decidimos entrar no mercado de vacinas e não tem por que a iniciativa privada não participar”, afirmou.

No caso da Sputnik V, que é aplicada em mais de 100 países mas não recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o insumo farmacêutico ativo (IFA) e o envase já estavam sendo feitos no país e 100% das doses eram exportadas pela União Química. Com a guerra da Ucrânia e dificuldades crescentes de comunicação com a Rússia, a farmacêutica brasileira suspendeu a produção da vacina.

Enquanto o projeto da Sputnik V está hibernando, há conversas em andamento com grandes farmacêuticas estrangeiras para trazer a produção de outras vacinas ao país, mediante transferência de tecnologia. A proposta da União Química é substituir a importação desses imunizantes, incluindo aqueles que estão no Programa Nacional de Imunizações (PNI), usando como base produtiva a unidade de biotecnologia de Brasília (DF). Nessa frente, pode haver novidades já no segundo semestre, indicou o empresário.

 

04/04/2022 -Valor Econômico

Por Stella Fontes — De São Paulo











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